PINK - Mulher com Propósito

Conselhos – Parte Final

Publicado em 29/03/2019
Atualizado em 24/04/2019

Quando devo parar de aconselhar?

Essa é sempre uma pergunta que me fazem. Eu já aconselhei essa pessoa por meses, anos sobre o mesmo assunto e não há uma mudança real ou permanente nessa pessoa. Ela muda por um tempo, mas volta a fazer a mesma coisa e eu já não sei mais o que falar para ela. Você já viveu uma situação assim?

Uma das coisas mais frustrantes para um conselheiro é testemunhar a pessoa aconselhada não seguir o conselho dado, pois ele aconselhou querendo ver a pessoa suceder.  Você sabe que se a pessoa seguir o seu conselho, será bem melhor para ela. Todavia, não podemos esquecer o elemento essencial no aconselhamento, além de ouvir: A liberdade. Quando aconselhamos, é primordial que saibamos que a pessoa tem 100% de liberdade em aceitar ou não o nosso conselho e que nós também temos 100% de liberdade em continuarmos aconselhando tal pessoa ou dizer: “eu não quero”, “não consigo” ou “não sei mais como aconselhar você”.

Essa é uma situação difícil para pais, pois vamos sempre querer continuar insistindo com nossos filhos. Mas às vezes, infelizmente, experimentamos momentos em que precisamos dar a eles a liberdade em escolher errado, ou não temos a opção de não vermos os nossos filhos escolherem errado, mesmo quando eles têm a opção de ouvir nossos conselhos e acertar.

Eu particularmente preciso ver a pessoa que estou aconselhando tomar passos práticos em direção ao que estamos conversando. Ela precisa mostrar para mim que está ouvindo os meus conselhos e que aceita o aconselhamento, porque eu estou investindo o meu tempo, experiência e meu emocional; se ela decide fazer o contrário ou não fazer nada com isso, eu preciso estabelecer limites para que o relacionamento de aconselhamento não se transforme em um relacionamento de acalentamento. O que é isso e quando acontece?

É quando a pessoa aconselhada sabe que o conselheiro está correto em seu conselho. E ter alguém por perto ajuda a pessoa a sentir que não está buscando o erro porque ela está “buscando” ajuda. Então, isso a acalenta e a faz sentir bem, fazendo com que ela não se sinta responsável pelos seus erros e escolhas. Ela fala para si mesma:

“Eu estou tentando mudar. Eu estou me esforçando. Eu estou buscando aconselhamento.”

Porém, isso é uma mentira. A prática revela a verdade no aconselhamento. A pessoa segue os conselhos por um tempinho ou pela metade, mas já sabe que em algum momento vai fazer diferente. E isso é engano. É um erro premeditado, pois antes de irmos na direção contrária a um bom conselho, todo o cenário do que pode acontecer está na nossa frente. Nós já conversamos em detalhes sobre as consequências.

Demanda iniciativa, disposição e ação da nossa parte para agir contrário ao conselho. Geralmente, não é algo que simplesmente aconteceu.  Eu sei exatamente o que estou fazendo e as consequências que podem ser geradas da minha ação.

Já existiram casos em que eu falei para a pessoa que não iria mais aconselhá-la e que eu não estaria mais a disposição para ter tempo de aconselhamento com ela. Isso significa que eu desisti da pessoa? Absolutamente não. Isso significa que ela escolheu desistir de si mesma.  E infelizmente a liberdade funciona das duas formas. Somos livres para nos autodestruir.

A porta do aconselhamento vai estar sempre aberta, mas a do acalentamento e engano não.

O conselheiro não pode querer o conselho mais do que o aconselhado, porque isso não seria aconselhamento. Seria codependência. Parte saudável do aconselhamento é o fruto de vida que é gerado.

Você tem a liberdade de parar de aconselhar alguém que não quer fazer diferente. A vida dessa pessoa não é sua responsabilidade. A vida dela é responsabilidade dela.

“As trilhas do desajuizado aos seus próprios olhos parecem um ótimo atalho; antes de tudo, porém, o sábio inclina seus ouvidos para os conselhos (Bíblia – Provérbios 12:15)”.

Amo você, PINK Girl!

Sobre Jordania Nargiz

Casada com o Pr. Garo Nargiz, mãe de dois filhos, advogada. Ama ler e ajudar pessoas a viverem intencionalmente e com propósito.

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